TOLERANCIA RELIGIOSA E A PAZ…

 

TOLERANCIA RELIGIOSA & PAZ.

(Reflexão motivada pelo transcurso do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro,  que foi instituído pelo Presidente da República, com a Lei Nº 11.635, em 27 dezembro de 2007.)

O artigo 5º, inciso VI, da Constituição prevê : “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais da humanidade, como afirma a  sexagenária Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Conforme a LEI N. 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997, PRECONCEITO RELIGIOSO É CRIME

Está descrito no Dicionário Michaelis: Religião: s. f. 1. Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino. 2. Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador. 3. Crença ou doutrina religiosa; sistema dogmático e moral. 4. Veneração às coisas sagradas; crença, devoção, fé, piedade. 5. Tudo que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável. 6. Ordem ou congregação religiosa. 7. Filos. Reconhecimento prático de nossa dependência de Deus/

“Na verdade, há tantas religiões quantos forem os indivíduos” (Mahatma Gandhi).          

“Pratica é critério de verdade”. (V. Lenin).

“A melhor maneira de você dizer as coisas é fazê-las.” (Jose Martí).

Feita essa pequena introdução, todos sabemos que fazer as perguntas é mais difícil do que construir as respostas. No entanto perguntamos:  a  religião é importante e necessária para o ser humano? A que se deve e a que interesses serve tantas demonstrações de intolerância que gera a cadeia de violência que todos conhecemos? A quem se deve reputar o fosso existente entre a realidade das ações dos lideres religiosos e a efetividade de suas pregações que explicitam denotada hipocrisia?

Destaco acontecimentos históricos de fatídica, letal e irracional atitudes de intolerância impulsionadas pelo fundamentalismo religioso como: Noite de S. Bartolomeu; As Bruxas de Salém; O massacre dos Curdos pelos Xiitas; os atentados dos Sirkins X Paquistaneses;  Guerras dos Católicos  da Irlanda do Norte X Protestantes da Irlanda do Sul; o permanente massacre do Povo Palestino pelo  Estado de Israel, isto sem falar do fundamentalismo islâmico da Rede Al Quaeda e sua permanente guerra terrorista pelo mundo liderada por Osama Bin Laden.      

Em nosso país temos demonstrações de Pastores evangélicos chutando imagens de Santos Católicos, Terreiros de Candomblé sendo invadidos, depredados, apedrejados e  queimados,  realização de passeatas pela “Paz” mas que possuem um alto conteúdo de intolerância religiosa, panfletagem e circulação de carros de som e trios elétricos  de evangélicos pregando a demonizaçao nos dias  de festividades do candomblé etc.

De acordo com o IBGE, os brasileiros se declaram praticantes de mais de 30 religiões diferentes. A criação do dia de combate à intolerância religiosa está sendo visto como um passo importante para que uma religião dialogue com a outra e se descubra suas reais convergencias e divergencias, trilhando os caminhos para encontrar o respeito mútuo e a coexistencia pacifica abrindo espaço para o dialogo inter religioso com estudantes nas escolas do ensino médio, fundamental e  universidades,   de modo a criar uma consciência plural e multicultural em nosso país de respeito à alteridade, ou seja, às diferenças e particularidades (idiossincrasias) que as pessoas em sua religiosidade possuem em relação umas para com as outras.  

Há exemplos negativos de líderes religiosos que manipularam seus liderados: Jim Jones (morte) , Sun Myung Moon(insanidade),  Neimar de Barros (descrédito); entre outros…      

Há exemplos positivos de líderes religiosos que praticaram a não violencia ativa e que morreram por causa de seus ideais  assassinados: J. Batista, Cristo, Marthin L. King, Gandhi entre outros. Temos felizes experiencias como os ganhadores dos Premio Nobel da Paz e de grupos de artistas como o U2 que semeou e possibilitou a construção da Paz na Irlanda, correspondendo ao  Evangelho de Mateus, quando o Cristo  nos falou:  Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;

Enfatizo que  os imolados pela busca da cultura  de paz deixaram para a posteriores gerações o exemplo de suas vidas cheias de certeza de estarem construindo uma humanidade humanizada, plena de justiça  e paz.

Karl Marx em sua obra a Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de  Hegel   de 1844,  coloca que “O sofrimento religioso é, o único e ao mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condicões desalmadas. É o ópio do povo.

“Na sequência do seu raciocínio (perfeitamente lógico atendendo às premissas) Marx defende que a crítica da religião não é um fim em si próprio, mas apenas um primeiro passo para que o homem se liberte das suas «cadeias». De certo modo, pode dizer-se que Marx subordina a crítica anti-religiosa à luta política socialista, não reconhecendo à primeira mais do que um valor instrumental.

O que Marx queria dizer é que  a religião funciona  como pacificador  dos oprimidos;  e a opressão é definitivamente um erro moral. A religião — dizia ele — reflete o que falta na sociedade; é uma idealização das aspirações do povo que não podem ser satisfeitas de imediato. As condições sociais da Europa nos meados do século passado tinham reduzido os trabalhadores a pouco mais que escravos; as mesmas condições produziram uma religião que prometia um mundo melhor na outra vida.” o

Infelizmente vemos as mesmas situaçoes hoje como antes, a acintosa concentraçao de riquezas onde poucos tem muito e muitos vivem na miséria, ignoráncia  e opressao, que as tornam presas fáceis aos embusteiros e farsantes. 

É preciso que se respeite o direito a diferença  e o caráter multicultural, aprendendo que não existe uma religião melhor do que a outra, mas sim aquela que ao professar suas ideias faz o ser humano ,  pensar e agir melhor em prol um mundo mais justo e humano.

A promotoria de combate ao racismo e à intolerância religiosa da Bahia, há cerca de dez anos demonstra que  maioria dos casos de intolerancia religiosa, envolve as religiões de matriz Africana.

No  cotidiano vemos que por trás da intolerância religiosa está implícito sempre interesses meramente comerciais (comércio de armas e artefatos de guerra)  e empresariais (fabricação de maquinas e equipamentos pela industria bélica).

 

Ao fim e ao cabo, a velha tática histórica das elites dominantes colonizadoras  sempre foi “dividir para dominar.

 

O filósofo Emmanuel Levinas(1905-1995) demonstra em suas obras que O ser é a posição, a afirmação de si, o movimento de persistência no próprio ser que, no ente humano, impõe interesse por si e indiferença diante dos outros. Contudo, na subjetividade já se inscreve, por causa da anterioridade do Bem, a necessidade da evasão, o movimento em direção ao Infinito, movimento que transtorna o ser e que se realiza como obrigação à responsabilidade pelos outros, anterior à livre decisão. Na subjetividade que acolhe o Outro, o ser pode transcender-se em bondade, verdade, multiplicidade pacífica, justiça.

 

Habeas Labor…

 

Praia de Porto de Galinha – Ipojuca (PE) – 21-01-2008.

 

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