FUTEBOL, A COPA E OS ENSAIOS DE PATRIOTISMO

FUTEBOL – A COPA  E OS ENSAIOS DE PATRIOTISMO

 

Nos meus olhares para as pessoas, as coisas e o mundo tenho
analisado  atentamente  que o 
futebol nas disputas pela Copa do Mundo, 
envolvendo as nações,   tem se
tornado uma das expressões  mais interessantes
de  construção de nosso patriotismo, é a
pátria de chuteiras! (*).

Lembro de um texto produzido por Roberto Mangabeira Unger, onde ele afirma que o Brasil ainda não é
uma nação, mas  um “acampamento de
interesses”. Me  recordo dos estudos de
história onde para colonizar o nosso território, foram criadas as  Capitanias Hereditárias distribuídas entre as
elites lusitanas. Ontem como Hoje as oligarquias em nosso país  se comportam na gestão dos partidos, das
instituições e empresas  como se fossem Capitães
e não tem pátria nem nação, mas são adeptos do internacionalismo do capital,
onde tiver riquezas  naturais e
minerais  que geram dinheiro estarão eles
lá… (**) 
  

Cheguei nestes dias de copa no meu flat , que não tinha ate
então,  nenhuma bandeira e fui surpreendido
com uma bandeira da argentina no andar de cima da minha varanda. Achei aquilo
uma provocação, e  logo providenciei  colocar uma toália   que tenho em forma de  bandeira do Brasil, porém era visível que
estava em desvantagem,  pois a minha
estava no andar de baixo….

Mas essa disputa com os “hermanos”  argentinos tem sido salutar, pois ela
felizmente,  ocorre apenas no futebol, na
verdade  eles confessadamente nos adoram…
admiram o nosso futebol, culinária, musica, mulatas e praias – Camboriú que o
diga!. Como pude constatar com os argentinos(as) que convivi na Argentina e nos
EUA quando por lá residi. Eles possuem  a
mesma passionalidade “caliente”,  exuberantes
e apaixonados, com o  carisma presencial
comum  aos latinos,  que também foram eliminados pela Alemanha.     (***)  

A copa nos  concede a
oportunidade de nos reunirmos com os velhos e novos  amigos para torcer pelo Brasil, em rodadas
nas casas de cada um. É isso que brasileiro também gosta,  de farra e o futebol-copa se torna apenas um
pretexto.

O futebol nos dá unidade na diversidade. A exemplo do
espetáculo de cores das bandeiras e do mosaico de raças, etnias e povos  simbolizados pelos  jogadores. E a emocionante declaração de nosso
capitão  no ultimo jogo, contra o racismo
e a xenofobia.       

Mas uma pergunta está no ar: por que o futebol tem essa
dimensão histórica e  popular no nosso
país? (****)

Um consenso é que foi trazida pelos ingleses que aqui vieram
trabalhar na segunda metade do século XIX.

Mas o futebol veio a se tornar no nosso país um grande
instrumento de ascensão social. O futebol exerce essa tarefa no Brasil, como o
Basquete exerce nos EUA. A única forma dos jovens negros e latinos nos EUA
chegarem a uma universidade (que é cara e paga) 
é se destacar principalmente  no
Basquete e/ou  em outras modalidades
esportivas.  

O futebol ocupa este espaço em nossa  pátria devido a  facilidade de sua prática cotidiana. Os
outros esportes necessitam de equipamentos caros o futebol não. Basta uma trava
de madeira ou ferro, uma faixa de beira-mar, um terreno baldio, um pedaço de
rua sem muito tráfego e um grupo de jovens com camisa ou sem camisa e ai
temos  uma incubadora de futuros craques.

Estes depois,  são
capturados pelos olheiros dos cartolas e são matriculados em clubes municipais,
estaduais e daí  os melhores são
“seqüestrados” por times internacionais que os compram a peso de ouro para
brilhar e trazer muito lucro para os acionistas de grandes empresas
transnacionais,quando associam sua pessoa a marca dos seus produtos..(Honda com
Ronaldinho Gaucho/ Claro com Ronaldinho “fenômeno”…somente para citar os mais
recentes).

 Para não fugir a
regra  como advogado,  cito a Lei Pelé, como  divisor de águas na transposição do nosso
futebol,  de futebol arte, para futebol
empresa:
         

“A Lei
9.615/98 instituiu normas sobre o desporto brasileiro. Procurou tratar o
desporto de uma forma geral, mas sem sombra de dúvida teve no futebol seu alvo
principal. Estes breves comentários sobre a "Lei Pelé"
não possuem a pretensão de esgotar o assunto acerca do tema, mas procurarão
apresentar uma análise crítica deste ordenamento, que trata de questões
polêmicas como o "passe livre"
e a obrigatoriedade dos clubes virarem
empresas comerciais
. Muitos outros temas, também de salutar relevância,
poderiam ser analisados, como a Justiça Desportiva e a possibilidade de criação
de ligas, regionais ou nacionais, com autonomia e independência, desvinculadas
da CBF e conseqüentemente da FIFA. Contudo, procuraremos nos deter naqueles dois
temas específicos.

O esporte sempre foi fator
necessário e constante na busca da fuga das inquietudes do cotidiano humano.
Desde as mais antigas civilizações, como na Grécia, é o desporto utilizado como
forma de demonstrar a destreza e a força física dos competidores, bem como o
maior ou menor poder de uma nação. E com este desenvolvimento progressivo,
também assim evoluiu as formas de disputas e organizações esportivas. Esses
acontecimentos nas práticas desportivas foram acompanhados, como não poderia deixar
de ser, pela evolução de outros aspectos da vida humana, como as artes, as
ciências, as indústrias e também pelo Direito. Muitos atletas deixaram de ser
apenas amadores e hoje são profissionais, geralmente bem remunerados.

O crescimento esportivo trouxe uma
série de novidades e modificações nas relações entre aqueles de competem,
aqueles quem os atletas representam e os que organizam tais competições. E
quando há um inter-relacionamento entre diversos agentes há a necessidade da
presença do ordenamento jurídico para regular tal relação, haja vista estar a
prática desportiva cada vez mais ligada a interesses econômicos de grandes
mercados "consumidores" deste lazer.

Temos, pois, uma dicotomia: de um
lado o homem que encontrou no esporte uma maneira de se refugiar das
incomodações rotineiras, procurando o isolamento e lugares reservados para
praticá-lo, criando suas próprias regras, onde impera e é soberana a lealdade
entre os adversários, e o Direito Comum não deve entrar; de outro, a
necessidade que tem o Estado de regular a prática desportiva quando essa atente
contra a dignidade da pessoa humana, criando normas que protejam aqueles que,
na disputa, sofreram atos que prejudicaram o bem-estar do desportista, ou que
criem relação de exploração entre o atleta e a entidade que ele representa.

Não podemos pensar em aplicar a
Legislação comum ao desporto se as leis que forem aplicadas não estiverem
dotadas do espírito desportista, pois o esporte não pode ser tratado como tão
somente mais um ramo do Direito. O desporte é dotado de seus princípios
próprios, de suas singulares características e qualquer lei
que não busque tais conceitos bailares será injusta. E assim é a "Lei Pelé", cheia de injustiças,
incongruências e inconstitucionalidades, fruto de desavenças pessoais entre seu
criador, Edson Arantes do Nascimento, um jogador incomparável, um Ministro de
parca inteligência, e a Confederação Brasileira de Futebol, comandada pelo Sr.
Ricardo Teixeira, genro de João Havelange, ex-presidente da FIFA, desafetos do "rei"”.

(*****)

Para este texto não ficar demasiado longo vou
telegramar…       

– Esporte coletivo:  o futebol diferentemente dos esportes
individuais é um esporte de massa e coletivo, um trabalho de equipe, que hoje
atingiu  o nível de ser jogado com   engenhosas táticas e estratégias frente
ao  adversário. Mas o diferencial sempre
será a gana, tesão e , paixão em jogar pelo seu time/pais. 

– Lavagem de dinheiro:
Inegavelmente este esporte se tornou um dos maiores instrumentos de lavagem de
dinheiro, vindo de atividades ilegais: contrabando, tráfico de pessoas  e de drogas , sonegação  fiscal e desvio de dinheiro publico,
corrupção etc.     

– Fim do futebol
amador e arte
– futebol empresa. Nos anos 90  o nosso futebol passou a ser um excelente
investimento depois da lei Pelé  veja-se
o Caso Grêmio  x  Ronaldinho Gaucho…

– Perfil de classe
dos jogadores brasileiros – do lixo ao luxo
: Dos nossos jogadores da atual
escalação da seleção, apenas o Kaká advêm 
de família de classe média, o restante de camadas populares. Dos
esportes em que nos destacamos ( Iatismo, Automobilismo e Volei) o futebol é o
que permite a mais massiva acessibilidade.  
A riqueza e o assédio da mídia e dos fãs 
deixam esses atletas em exposição máxima, fazendo-os prisioneiros da
gloria e da fama. Escravos do luxo, consumismo, dos interesses e pressões das
empresas que  lhes patrocinam, entram em
depressão profunda diante do choque de valores e de exigências que lhes impõem
os contratos. Veja-se  o Caso Ronaldinho
com os Travestis. O Caso do Imperador “Adriano “ que tem depressões constantes
com tratamento psicológico e medicamentoso: Caso Edmundo – que  ao dirigir bêbado matou um motoboy… entre
outros.             

 – Técnico de Futebol e médico todos somos um pouco : é incrível
como homens, mulheres, crianças jovens  e
idosos  se envolvem na discussão  sobre a escalação dos atletas, cada um com o
seu palpite de  “expert”,  que 
origina pérolas como  “Faça como
Dunga não consuma Craques” a despeito da não escalação de “Pato”e  “Ganso”…. Parece até com nossa mania de
automedicação sugerida – tá com dor de cabeça tome (….) , onde não se leva em
conta  a causa e sim apenas as
conseqüências…  A velha mania de quem
tem o senso comum de  apenas ser
“bombeiro”das conseqüências…

– Necessidade de  transposição da  exigibilidade de eficiência, dedicação,
organização,  compromisso, ética no Futebol
e Carnaval
, para o processo de gestão publica e  eletivo de nossos gestores e governantes. Mas
estamos próximos, após a Lei  Anticorrupção Eleitoral – Lei  9.840/1999,    que tem como lema “Voto não tem preço, tem conseqüências..”
e cuja penalidade  máxima é o impedimento
da diplomação de quem for  pego
praticando Corrupção eleitoral, e agora a recente Lei Ficha Limpa – Lei  Complementar
165
,    que impede os que tem ficha
suja de se candidatarem a qualquer cargo eletivo. Eita faxina!

Diante do resultado da copa – 2010  posso inferir que apesar de nosso povo ter
sofrido muito nos seus “sentimentos patrióticos futebolísticos”,  com a nossa eliminação  no jogo contra a Holanda de 2×1, e a vitória
final  da  Espanha contra a Holanda,  a vida continua,  e em 2014 
seremos anfitriões e teremos mais de 200 milhões  de 
brasileiros em sinergia para mais uma oportunidade de sermos
hexa… 

E Lá nave vá.   

http://pt.wikipedia.org/wiki/Patriotismo

(*) Patriotismo é o sentimento de amor e devoção à pátria, aos
seus símbolos (bandeira,
hino, brasão).
Através de atitudes de devoção para com a sua pátria,
pode-se identificar um patriota.

Muitas vezes, o nacionalismo é utilizado como seu sinônimo. Porém,
podemos dizer que o nacionalismo é considerado uma ideologia,
que leva as pessoas a serem patriotas.

Ser um nacionalista não implica algum ponto de vista político particular, à
excepção de uma opinião da nação como um princípio organizado fundamentalmente
na política.
Agora, ser um patriota implica fazer algo de bom pelo seu país, ou nação.

Há diferentes tipos de patriotismo, e diferentes pessoas que são patriotas,
diferentes maneiras de mostrar como são devotos ao seu lugar de origem:

  • Patriotismo
    nos desportos: há grande parte da população que tem orgulho de sua pátria
    quando ela está representada por atletas em competição;
  • Patriotismo
    na Cultura: cantores, compositores e poetas, que são famosos no mundo
    inteiro, espalham o encanto do país em que vivem. E não negam suas raízes;
  • Patriotismo
    na Guerra: pessoas que se oferecem ou são rigorosamente selecionadas para
    defenderem seu país em uma guerra.

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