CARTA AO AMIGO…

Carta ao
Amigo(a):

“Quem consegue con-viver em
exercício permanente de respeito- alteridade-solidariedade com os diferentes; na
família, comunidade, sociedade e no mundo; 
certamente serão os mais felizes entre nós!”   (Alexandre Guedes)

Amigo(a)
é aquele(a) que adotamos como irmão(ã) sem sê-lo” (Desconhecido)

“O
encanto da vida depende unicamente das boas amizades que cultivamos” Malba
Tahan

“Nunca
desprezes os teus amigos, porque, se um dia eles te esquecerem, só os teus inimigos
se lembrarão de ti”  Walther Waeny”

“As
amizades fundadas em interesses (se as dessa qualidade podem ter esse nome!),
não duram mais que enquanto dura a ocasião e a esperança do proveito” Francisco
de Almeida.

“O
amor pede, a amizade dá!” Carmem Sylva

“Em
coisas insignificantes é que um verdadeiro amigo se avalia! Camilo C. Branco     

“Amigo
é coisa pra se guardar,no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a
distancia digam: não! Milton Nascimento.  

Estimado amigo(a):

Hoje  resolvi abrir o
jogo. Vou dizer coisas que pode até ferir teus brios; ou para complicar: tua
susceptibilidade…; tudo para pretensiosamente provocar em você uma reflexão
do que é ser/estar amigo…

Saiba que você faz parte do meu patrimônio existencial. Tivemos
períodos mais próximos e outros  mais
distantes. Fui à casamentos, aniversários, velórios e reuniões de gente tua,
que nem conhecia, apenas para estar solidário e em sinergia com você.

Confesso que os “amigos” que ficaram para trás foram àqueles  que só me 
procuravam  quando  precisavam 
de mim  para alguma atividade,
como profissional da advocacia, seja como confessor (terapeuta-filósofo); seja
como a sua única ou ultima opção de companhia para sair, ou porque tinha carro
ou moto, e  podia convenientemente lhe
pegar & levar em casa. Ou ainda, porque eu era o generoso financiador para poder
ir a algum evento ou seu salvador em sua dificuldade financeiro-jurídica;
porque não tinha dinheiro, ou  estava
desempregado…Estes hoje só atendo no meu escritório.

Tenho uma tia idosa que se encontra em um hospital e ninguém
quer lhe fazer companhia noturna… por que será? Ela apenas colhe o que
plantou. 

Sempre achei que amizade é 
patrimônio sentimental e existencial e há aqueles(as)  que fazem apenas  uso utilitarista dessa essencial relação
humana.

Amigos(as),  são àqueles(as),
 que nos  elegeram e foram eleitos por nós. Foram os que
sobraram na grande peneira existencial. São os que se Pós – graduaram  em amizade, por  passarem de colegas: de escola, trabalho, cursinho,
universidade, serviço militar, grupo de teatro, grupo de igreja, crisma etc;  ou de companheiros-camaradas: em mov.
Sociais, cultural, comunitário, estudantil, político-partidário etc.. Parentes/família:
 de primo, tio, sobrinho, cunhado,genro,
sogra, agregado, aglutinado, namorado; conhecidos: de vizinhos, transeuntes,
pessoa do ponto de ônibus, passageiros em transporte no mesmo horário e dias
para as nossas atividades; redes-sociais: orkut, MSN,  internet, blog, etc…; para  nos brindar com a sua amiga e prazerosa  companhia por anos a fio… e tenho alguns
deles que já vão completar mais de 40 anos da mais pura, cristalina, sincera,
admirável e indescartável amizade…     

Vi que os que seguiram o caminho utilitarista,  começaram a se juntar à pessoas parecidas com
elas,   e a priorizar apenas a companhia
destas, creio que  sob o domínio do
ditado:  “Temos que nos juntar embaixo de
árvore que nos dê sombra” ,    ( porem se
esquecem elas, das 4 estações…)  e seguindo  esse mesmo raciocínio,  ou por moto – próprio ou “obrigados”pelos seus
pais ou mentores,  escolheram profissões   e se de-formaram
nelas, apenas porque herdariam o “prato feito” dos seus genitores-mentores, que
estavam colocando-os como continuidade dos seus projetos de sobre-vida. Também
alguns se casaram por interesse apenas material, para unir o patrimônio
acumulado de suas famílias e assim ampliar sua capacidade de poder transitar
pelo status social, para ter acúmulo de patrimônio e  riqueza material, estas pessoas são
competitivas, egoístas, utilitaristas, e ainda continuam em busca da
felicidade… Elas estão envelhecendo rapidamente, os amigos , filhos,
parentes, estão se afastando cada dia que passa, esperando o dia da partilha do
que acumularam em vida. Tudo por terem se tornado  apenas pessoa de bens… 

Dia desses um senhor, patriarca,  patrimonialista, avarento, carrasco,  e autoritário pai de amigos meus,  faleceu; e a perda foi uma alegria, pois hoje
eles estão partilhando  os seus bens para
viverem agora melhor e mais felizes, livres daquele ser opressivo e sem amorosidade.
Nesse caso nem F. Pessoa serve… ( Tudo vale a pena quando a alma não é
pequena..)   

Outros partiram em busca da fortuna critico – existencial, em
busca de cultivar os valores essenciais da condição humana: solidariedade,
altruísmo, ética, amizade, tolerância, compaixão e amorosidade. Estes
escolheram profissões que gostavam, para que pudessem usá-la na construção de
um mundo mais humano, justo e solidário. São pessoas muito felizes; e cada dia
que passa, sua aura e jovialidade se tornam mais brilhante e contagiante para as
novas gerações, amados e admirados pelos amigos, familiares, parentes e amigos –
se tornaram homens/mulheres de bem. Porém, são invejados pelos medíocres e
utilitaristas. São as pessoas que seguiram a luta obstinada pela razão
esclarecida.        

Tem “candidatos” a amigo(a) que 
só querem  que você seja amigo(a)
dele (a), mas ele(a) não é amigo de ninguém.Nos usam ou como gangorra,
escadaria ou  biombo. São os que não  aprenderam  ainda que “antes de você ter amigo, é
preciso ser amigo!”.       

Uns vem com seduções baratas, usando a tática de dizerem em
algum encontro ou telefonema próximo ao seu aniversario ou dia dos namorados
(as) – Eu gosto de tal cantor, escritor, gostaria de ter dinheiro para comprar….

Tem aqueles que te procuram para pedir dinheiro “emprestado”  para fazer um concurso e você empresta, eles
passam e nem se lembram nem de devolver o dinheiro e nem que foi você, a ponte
entre uma fonte e outra fonte… Há os que vem te pedir dinheiro para pagar acordos
para saírem da negativacão do seu nome, porque se afogaram em dividas por
desenfreado impulso consumista só pra andar na moda…( para corresponder a
vontade de seduzir e capturar amizades – (geralmetne relacionamentos
descartáveis capturados apenas pela aparência visual).  Capturas e não Conquistas , que segundo Descartes
 O sentido mais enganador de todos é o
olhar.  E quem tem o senso comum, olha (aparência)  mas não vê (essência)!  Sendo levado a erro… Para estes recomendo o
livro do J. Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”…  

Na escola , cuja principal missão  é trabalhar a “sociabilidade” com os
diferentes, vimos alguns colegas serem discriminados, hoje chamado de  “bulling”- quando humilhavam os diferentes de
: macaco, pé de coco, tripa escorrida, espanador de lua, passo mago,  baleia, baleia assassina, orca,  porco, leão marinho, bujão, pitomba, bicha,
piroba, goiaba, frutinha, doido…

 Foi lá na escola, que sentimos
em nossos primeiros contatos com a coletividade, “aquela química”, onde alguma
pessoa sempre nos atraia mais que a outra, tudo de forma aparentemente inexplicável.
Como inexplicável é  quando de repente
nos pegamos dizendo:  “não sei
porque  não gosto de fulano ou fulana!”.

Mas em geral as pessoas de “senso comum”, gostam dos cúmplices, humildes,ousados
e aventureiros. Invejam os inteligentes, solidários, altruístas, refinados,
fidalgos e cultos. Detestam os diferentes, contestadores, arrogantes, mentirosos,
críticos-mordazes, egoístas,  irônicos, excêntricos,
os que tem orientação sexual diferente da maioria ( heterossexuais),  e outsider’s… entre outros…

É raro, mas encontramos, gente que transformou a mudança de status
da relação mais intima com o outro, em amizade. Amantes, ex-maridos/mulher,
sogro(as), genros, cunhados(as), colegas de trabalho; companheiros/camaradas e
ex-namorados(as) se tornaram amigos,  porque souberam preservar o essencial. Outros apenas
deixaram inimizades por onde passaram.                 

Vendo o  homem/mulher como
ser  social,  resolvi estender o meu olhar para a prática
dessa sociabilidade,  que se consolida em
e na amizade; e neste  dia do amigo,
 estou me lembrando do quanto você é ou
foi importante para a minha trajetória! Sou humano e preciso que as pessoas
participem comigo do protagonismo existencial no palco da vida,   e não apenas como coadjuvantes na platéia deste
espetáculo chamado:  vida!

Vejo que cada pessoa que  passou
 pela minha vida e os que ainda estão comigo,
  me lapidaram e eu a elas.  Algumas  estão em “stand by”, outras, foram
contribuintes para negação paradigmática do que sou;  e  hoje
estão no arquivo morto da  minha memória histórica…

Uns são virtuais, principalmente pela distancia territorial, devido
à impossibilidade momentânea de estarmos juntos. No entanto, de vez em quando,
nos surpreendem, postando um scrap no Orkut,  ou mandando um torpedo ou  email, ou entram de repente no MSN renovando o
nosso bem-querer e esperança de um dia estarmos juntos de novo.   

Outros são presenciais, e quando convidados (as),  sempre com-parecem para celebração  da vida,  em festas  como maravilhosos re-encontros com a alegria
de ser/estar no mundo.

Por falar nisso, pergunto:

Quando poderemos nos encontrar de novo?

Quando vamos voltar a cultivar a nossa amizade como uma
plantinha, que temos que regar, tirar as folhas secas, adubar e depois colher
os frutos?

Se você quiser ter tempo, o terá. Tudo é uma questão de
planejamento!  Experimente comprar uma
agenda e ali colocar as suas prioridades no agendamento, por exemplo: Dia de
reencontrar meu amigo de todas as horas: Alexandre Guedes…

 E la nave vá…

Parahyba, Parahyba, Brasil,  Inverno,  20 de julho de 2010.

1 comentário

Arquivado em Não categorizado

Uma resposta para “CARTA AO AMIGO…

  1. LUCIO ANDRÉ DE FIGUEIREDO RODRIGUES

    Parabéns pelo Artigo sobre a violência, parabéns pelo novo visual do blog, ficou muito bom e mais agradável para a leitura… grande abraço e continuemos nas lutas.

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