LAMPIÃO: O herói/bandido, contextualização histórica e perspectivas atuais.

LAMPIÃO: O herói/bandido, contextualização histórica e
perspectivas atuais.     

 

Por 
ser  um dos  Ferreira, gostaria de comentar  o périplo desta celebridade histórica,que
marcou época em nosso país…

 

O contexto Histórico – Político:

No começo da República o em 1889,  a região  Nordeste foi abandonada à própria sorte,
havia  a 
continuidade do voto censitário, tendo os homens do cangaço criado sua
própria forma de fazer justiça.

Temos que analisar as atitudes humanas  dentro de uma contextualização histórica,
correspondendo  ao que nos legou filósofo
Ortega Y Gasset   “eu sou eu e as minhas circunstâncias”
.  Nesta linha de raciocínio devemos
analisar a ascensão do nazi-fascismo, da subida ao poder de Stálim, da eclosão
das duas  Grandes Guerras Mundiais.
Da  vitórias e das Derrotas das forças
Insurgentes no século XX  em revoluções
como a da México, URSS,  Cuba, Líbia,
Vietnã, Nicarágua e Venezuela.       

Neste sentido,  devemos ver  Lampião  como representante  não só do povo nordestino sofrido mas também  de um tempo em que a justiça  era executada pela força representada  pelo  exército e pela sua força auxiliar (Polícia
Militar);  sem as  garantias  do devido processo legal, julgamento justo , ampla
defesa e o contraditório. Tal como ocorreu em Canudos, a execução sumária de
"rebeldes" ou "revolucionários", o interessante é que a
História não os coloca como "Nacionalistas" ou "defensores do
povo". A historia oficial, reproduz apenas a  visão dos vencedores . Segundo o filósofo da
linguagem –  Mikael Bakhtin: “O discurso
é poderoso e carregado sim de ideologias que quando usadas podem provocar
sérias implicações”.  Para ele o
pensamento individual não cria ideologia, é a ideologia que
cria pensamento individual. Literalmente, afirma que "Uma das tarefas mais
essenciais e urgentes do marxismo é constituir uma psicologia
verdadeiramente objetiva. No entanto, seus fundamentos não devem ser nem
fisiológicos nem biológicos, mas sociológicos".

Diante destas premissas, 
chamar  Lampião  de bandido é um desrespeito à sua memória e a
memória de um povo sofrido e massacrado pela política coronelista vigente no
início do século XX.  colocá-lo como  um herói justiceiro depende do olhar de
classe. O mais justo é colocá-lo na memória recente do país como alguém que se
rebelou contra uma situação vigente, porém de forma despolitizada, usando métodos
 insurgentes não convencionais.

O ser social , influenciado pelo meio  em que vive,  sofre várias transformações absorvendo,
dependendo da situação, atitudes positivas ou negativas.  Atitudes 
que são uma reação  provocadas por
injustiças ou pela falta de vida digna.

A crise social e econômica que atingia nosso país naquela
época, agravada nas regiões mais pobres do Brasil. E  no sertão nordestino em particular, a seca, e
seus aproveitadores – os coronéis com  seus  latifúndios  
e dominação política e econômica e 
opressão social,  geravam tensão  permanente. A  ausência das ações do Estado, provocada pela
diminuição dos recursos, se refletiram no controle local/regional das oligarquias  representadas pelos coronéis.  A cada dia se agravava o aumento do desemprego
e da ausência de perspectivas de ascensão social. Camponeses  e  capangas perdiam suas ocupações.  Tal 
situação gerou o ambiente de extrema pobreza e violência para o surgimento
do cangaço.

Chamado de banditismo social, o cangaço possuía práticas
como a produção para subsistência e o saque de cidades inteiras e de fazendas.
Foi nesse processo  que  surge Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião,
rei do cangaço”. O que o leva a ser  visto  ou
como herói por alguns, e/ou bandidos para outros.  No entanto, ele é um dos  inumeráveis líderes insurgentes latino-americanos
a exemplo de J. Martí, Emiliano Zapata, Bolívar, Che Guevara, Lamarca, Prestes,
Marighela, Fidel, Chávez,  que resolveram
pegar em armas  e liderar  revoltas armadas, umas derrotados outras
vitoriosos.

Em outro olhar, pergunto: Por que não chamamos de bandidos
e assassinos entre outros,  governantes
como  o Ditador Pinochet do Chile que
matou milhares de insurgentes que defendiam o governo democrático de Allende;  O Presidente
F. D. Rossevelt que autorizou soltar a bomba em Hirochima e Nagazaki,  e matou de um só ato mais de 100 mil pessoas
inocentes? Presidente J W. Busch II e sucessores ,  que 
invadiu dezenas de países, e mais recentemente o Afeganistão e Iraque  destituiu e matou seus governantes e já matou
milhares inocentes nos  quase 10 anos de invasão?
       

O HOMEM:

Virgolino Ferreira da Silva era o terceiro dos muitos
filhos de José Ferreira da Silva e de Maria Lopes. Nasceu em 1898, como consta
em sua certidão de batismo, e não em 1897, como citado de várias obras.

O seu apelido,  surgiu
  depois de sua atitude em  iluminar a noite com tiros de espingarda para
que um companheiro achasse um cigarro.

A sua fama de justiceiro,  foi despertada em 1915. Virgolino contava com
18 anos quando um coronel inimigo encomendou a morte de seus pais.

– "Vou matar até morrer" – prometeu ele, cheio de ódio e desejo de
vingança.

E assim agiu por quase três décadas. Atuou em  sete Estados Bahia, Sergipe, Pernambuco,
Alagoas, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte,  com fama de semear o  terror e a morte no sertão.  São famosos os fracassos do “macacos” do
governo federal nas operações preparadas para capturá-lo e as o gradativo
aumento do oferecimento de  recompensas 
a quem o matasse,  aumentavam sua
fama. Admirado pela sua valentia e ousadia, acabou convertido em herói.  Até que em 1931, o jornal Estadunidense  New York Times  o chamou de  ROBIN HOOD DA CAATINGA,  pois  roubava dos ricos para dar aos pobres. Vaidoso,
 o personagem  só usava perfume francês, e se dava ao luxo de
distribuir cartões de visita com sua foto estampada.  E entrava  nos povoados jogando moedas para os presentes .

 Lampião tinha 1,70 m de altura, mulato,
corpulento e era cego de um olho. Tinha em seus dedos anéis extravagantes e no
pescoço tinha lenços de cores berrantes, preso por valioso anel de Bel em Direito.

O FIM DO CANGAÇO:

Virgulino Ferreira da Silva  foi assassinado em 28 de julho de 1938,
abatido por um “macaco” da volante alagoana. Completa neste 2010 , 72 anos do
fim do Rei do Cangaço. A vida de Lampiao gera polêmicas entre historiadores e
pesquisadores brasileiros. O  maior
especialista no assunto, o professor Antônio Amaury Corrêa de Araújo, diz que
encontrou pelo caminho uma imensidão de erros biográficos e invenções que nada
têm a ver com a verdadeira história de Lampião.
Autor
de dezenas de obras sobre o assunto, ele trabalha em novos livros e, como
sempre fez, percorre o Brasil para debater as origens, o caldo de cultura e os
sinais de hoje em dia que ainda desafiam o olhar crítico sobre o cangaço – um
dos mais importantes fenômenos sociais surgidos no Brasil.

O Cangaço visava contestar à pobreza e às péssimas
condições de vida do povo, 
transformou-se em  movimento
popular contestando  os donos do poder
local, entrando em confronto com a administração local, regional e nacional,
este ultimo geralmente omisso aos desmandos do coronelismo.

Entre as causas do cangaço. Podemos apontar: a pobreza,
fome, doenças, desemprego, opressão social, perseguição política,   e a
falta de esperanças. Muitos inclusive eram pequenos proprietários, que eram
obrigados pela força e opressão, a  se
sujeitar aos coronéis. No seio deste povo sofrido, oprimido e maltratado surge o
cangaço, convicto de que lutava pela emancipação e sobrevivência.

É preciso resgatar que ainda existem dois países no Brasil:
o que Edmar Bacha chamou de Belindia
– Um sul–sudeste que vive como Bélgica e
um Norte-Nordeste como a Índia: um
mantém a mesma ordem, a mesma estrutura e os mesmos vícios do passado; o outro desenvolvendo-se
e modernizando-se socioeconômica e culturalmente, caminha para o progresso. O outro  ainda,  refém da opressão e da ordem… 

Neste contexto surge Lampião,
que  subverteu a ordem imposta, mesmo que
não fosse esse seu objetivo. Lutou contra os Latifundiários que por 4 séculos
imaginavam-se intocáveis, passaram a ter medo de sua presença e o terror das conseqüências
do não atendimento de suas exigências.

O caminho que Lampião pode ser
estudado  nos mapas e ainda na memória
viva da história do cangaço, cuja realidade local praticamente não mudou nos
últimos 70 anos.

  quatrocentos anos a seca é usada politicamente.
Sabemos que quando a morte passa a ser companhia diária do homem  este imediatamente reage.

Onde impera o analfabetismo, miséria,
despolitização e alienação política, a desorganização social impera,  e algumas pessoas  se entregam ao desespero, à passividade e ao
desalento. Outras, de índole mais agressiva, revoltam-se se insurgem e pegam em
armas. Os que não têm nada querem alguma coisa; os que têm pouco querem mais,
muito mais,  e o poder e o dinheiro do  coronel está séculos à sua frente.

Na história as rebeliões, vemos que estas  sempre aconteceram, causadas pela exploração
da mão-de-obra, da expulsão dos camponeses de suas terras, pela seca usada
politicamente pelos grandes latifundiários, e ao regime de trabalho semi-escravo.
Nessas  condições era cada vez maior o
número de flagelados que passaram a fazer parte de movimentos populares como
Canudos, Contestado, Caldeirão, Cabanada, Balaiada, Quilombo dos Palmares, Confederação
do Equador,  e tantos outros, como forma
resistência à fome e a opressão.  Se
tornando símbolos da resistência ao poder centralizador dos donos de terras
que, eram e agiam como senhores feudais.

Sem  saída os grupos de rebeldes procuraram os
meios para tentar mudanças, que pudessem acabar com o analfabetismo, a fome, e
por um futuro melhor. Inclusive lutando contra o ideário religioso  com o discurso justificador e conformista veiculado
pela igreja católica conservadora  à
serviço do Poder Local  que era
simbolizado  por frases: “O muito com
Deus é Pouco e o Pouco com Deus é muito…” Só que por séculos os ricos ficavam
cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais miseráveis pela enorme e crescente
concentração de riqueza e conseqüentemente do Poder político.   

Por onde lutou Lampião estão ainda,  nos dias de hoje, a subserviência, a presença
maciça da ignorância e do analfabetismo, a exploração econômica e política –
leia-se currais eleitorais, formados por humildes cidadãos(ãs), manipulados
pelos membros das oligarquias do poder local, abrigadas em sua maioria em
partidos neo-conservadores como Democratas, PSDB e PP.

Mas o domínio destas oligarquias no Norte e Nordeste,  tem diminuído seu raio de ação, com a chegada
de políticas publicas inclusivas, garantido autonomia, independência, dignidade
e liberdade política ao cidadão(ã);    originadas pelo Governo Federal sob a presidência
de  Lula: Luz para Todos; Bolsa Família;
Programa Saúde da Família; Programa de Aceleração do Crescimento; Programa de
Transporte Escolar; Programas de Inclusão Digital das Escolas Publicas; Políticas
para a Juventude etc…    

E La nave vá….

http://www.sitedecuriosidades.com/ver/lampiao_-_heroi_ou_bandido.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Virgulino_Ferreira_da_Silva

http://www.infonet.com.br/lampiao/ 

http://www.sitedecuriosidades.com/ver/lampiao_-_heroi_ou_bandido.html 

http://www.adrenaline.com.br/forum/papo-cabeca/203288-a-era-do-cangaco-70-anos-da-morte-de-lampiao.html

http://aparecidovieira.blogspot.com/2009/02/lampiao-heroi-ou-bandido.html

http://blogdapromosell.wordpress.com/artigo-lampiao-heroi-ou-bandido/  

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufr%C3%A1gio_censit%C3%A1rio

http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_do_Brasil

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Ortega_y_Gasset

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakhtin

http://www.comunidadesegura.org/pt-br/node/31781

http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI71666-16642,00-O+REI+DA+BELINDIA.html

http://www.brasil.gov.br/?sess=125cc092d2ac9c3a4449293369917e5c

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