VIOLÊNCIA, POR QUE? E ATE QUANDO?

VIOLENCIA, POR QUE? E ATÉ QUANDO?

Chocantes  manchetes estao invadindo a midia:

Rapaz mata travesti com 30 facadas em Campina Grande
Rapaz invade colégio e mata 12 crianças no Rio de Janeiro.
Mulher é assassinada pelo marido ciumento.
Criança é jogada pelo pai de janela do apartamento em São Paulo.
Mae e filho são esquartejados vivos para confessarem paradeiro de filho perseguido por traficantes na Paraíba.
Filha é estuprada pelo padrasto.
Mulher mata marido enquanto dormia que a agredia cotidianamente.
Adolescentes matam jovem a chutes, pontapés e canivetadas na saida de Boite em Curitiba.
Missionária  é assassinada a tiros pelas costas por defender Reforma Agraria.
Advogado é assassinado por denunciar o sindicato do Crime na Pb e Pe.
Deputado Paraibano é ameaçado de morte por presidir CPMI do Narcotrafico,Crime Organizado e do Roubo de Cargas.
Atleta do Jiu-Jitsu Paraibano  é Assasinado por filhos filhos de fazendeiros Pernambucanos com tiros quando ia para o trabalho
Estudante Acusado de matar namorada quando esta lhe confessou que estava grávida dele.
Testemunha é morta com 30 tiros na Cabeça na rua e  em pleno dia na cidade de Princesa Isabel  na Paraiba.
Casal Assassina  seis de familia  vizinha no Bairro do  Rangel em Joao Pessoa – PB,  por causa de uma galinha.
Jovens sao encontrados mortos na periferias com tribo
Psicologo é acusado de matar Defensora Publica por dirigir embriagado em velocidade e  cortando sinais na Paraíba.
Acusado é linchado por populares  em Alhandra-PB  que invadiram a delegacia.
Chassina em Matupá: Populaçao revoltada retira presos da Delegacia ,  lincha-os e queima seus corpos em via publica.
Jovem é assassinado a chutes, pontapés e esganadura, por usuarios de transporte coletivo revoltados, após  este cair com freio brusco de motorista, após tentativa de assalto frustrada em Belem/PA.
Mendigos sao queimados vivos em  S. Paulo
Jovem drogado mata mae e empregada em apartametno em SP.
Melhor amiga de dependente de drogas é assassinada por esganadura  em SP quando tentanva dialogar com este para abandonar o vicio.
Indio Pataxó é queimado vivo e assassinado por jovem da elite Brasiliense.
Catadores de Papel são amarrados e queimados vivos em São Paulo.
Reporter faz apologia ao crime, profere pornofonias, faz gestos obscenos e profere injurias e infamias as mães dos acusados de crimes na Paraíba.
Mulher tem  filho e o joga no lixo, descobrindo a policia que ela já  deu sumiço em outros 4 que pariu.
Medo da populaçao faz com que universidades e escolas funcionem apenas até as 22h. nas grandes capitais  por falta de segurança.
Jovem é morto por bala perdida quando assistia aula em Universidade do Rio de Janeiro.
Grupo de Elite dos EUA invade casa e mata Bin Laden e sua familia no Paquistão.
Jovem invade universidade nos EUA e mata 30 pessoas, entre eles colegas e professores…

Sao tantas e tantas que podemos  indagar: será o fim dos tempos?  Quais as causas de tanta violência? Qual seria o mellhor metodo para  prevenir e combater as violências? Seria a descriminalizacão do Aborto e das Drogas? Seria  o aumento dos efetivos e equipamentos  para uma ação conjunta de Segurança  preventiva (eletrônica, animal, privada e publica), ostensiva, comunitaria e Proativa?  Seria uma cruzada nacional pela implantação definitiva Escola Integral,  que é exitosa no mundo todo,  e que no brasil foi assassinada por interesses inconfessáveis de nossa elite dirigente? http://www.promenino.org.br/Ferramentas/Conteudo/tabid/77/ConteudoId/aadfd20e-5e38-4aea-b4e7-552f9d4f52c9/Default.aspx  e  tambem em :  http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt09/t091.pdf

A filósofa Hanah Arendt,  cunhou  em pela primeira vez o termo “banalidade do mal”  sua obra Eichmann em Jerusalém:   “a violência e a banalidade do mal”, que foi o tema de minha monografia de conclusao do curso de Licenciatura em Filosofia – A violência e a banalidade do mal no pensamento de Hannah Arendt.    http://pt.wikipedia.org/wiki/Banalidade_do_Mal e http://xoomer.virgilio.it/direitousp/curso/arendt6.htm

Em 2009 participamos e organizamos da I Conferencia Nacional de Segurança Publica em Brasilia, quando honrosamente participei  como Delegado da Paraiba representando a nossa OAB/PB. Diante de tanta mobilizaçao , municipal, estadual, regional e nacional, pergunto:  para onde foram os principios e diretrizes dos eixos aprovados? Veja em : http://www.aspra.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=810:1o-conseg-principios-e-diretrizes-aprovados&catid=17:noticias&Itemid=19  –

São tantas as perguntas que não querem… que nao devem e nem podem calar…

Preocupados com a violencia que assola nossa pátria, e particularmente nosso Estado,  estou participando de uma discussao protagonizada pela vanguardista OAB/PB  para criação do  Forum Paraibano de Prevençao e Combate às Violencias  – FPCV.
Sentimos que as violências ficam cada vez  mais proxima de nós. Pois  os atos de violência começam a nos circundar , seja como vitima ou espectador,  que crescentemente atinge amigos, parentes, familiares e colegas de trabalho, vizinhos etc… Cada vez mais  inferimos que  se faz necessário o Estado investir em Educaçao para o Respeito aos Direitos Humanos, Tolerancia, Diversidade e a PAZ!.

Em busca de contribuir com as respostas, transcrevo o  artigo abaixo à guiza de introdução à  nossa reflexão em busca de mudanças necessárias em nossa forma de olhar tal problematica que sempre é atual e contemporânea …

 “A violência e suas vertentes…

Araceli Albino*

(Como é possível identificar e combater as diversas formas de violência: às que somos submetidos diariamente e, algumas vezes, sem perceber, tais como as domésticas, escolares, sociais, entre outras…).

A violência é uma palavra que vem ganhando cada vez mais espaço no cotidiano do brasileiro e já figura entre as grandes causas de preocupação de milhares de pessoas ao redor do mundo. Em uma lista de principais problemas das megalópoles, a violência aparece junto com a fome, o desemprego, o trânsito, a poluição, entre outros. Para se proteger, a sociedade se esconde atrás de muros e grades e se mune com o que há de mais moderno em termos de segurança. Tudo isso para ter a certeza de que estará livre da temida violência.

É sabido que a violência está presente na vida do homem desde o seu surgimento. Por milhares de anos, a prática de atos violentos como a caça, foi essencial para a sobrevivência da espécie. É também conhecido que razões como a inveja, que levou Caim a matar seu irmão Abel, continua fazendo vítimas até os dias de hoje. Mas, de uma forma geral, com o passar do tempo e a evolução do indivíduo, a manifestação da violência ganhou outras formas e variações onde muitas vezes o próprio ser humano não acredita.

Para Freud, impulso agressivo é inerente ao homem, é necessário para autoconservação e da espécie humana. Qualquer humano pode tornar-se violento mediante uma ameaça. A violência é apenas uma manifestação deste impulso. Já para o filósofo inglês Thomas Hobbes, o homem é governado por suas paixões e tem como seu direito conquistar o que lhe apetecer. Como todos os homens seriam dotados de força igual (pois o fisicamente mais fraco pode matar o fisicamente mais forte, lançando mão deste ou daquele recurso), e como as aptidões intelectuais também se igualam, o recurso à violência se generaliza.

Se antes a violência era necessária para garantir a sobrevivência, hoje, ela é uma das principais causas de extermínio do homem. Segundo a UNESCO, a cada 13 min, um brasileiro é assassinado. Mas não estamos falando apenas do extermínio físico, mas também moral e social, que muitas vezes fere e marca mais que a agressão física propriamente dita.

“Midia sensacionalista causa o impacto do ‘consolo’ ao exibir pessoas em situações piores”

Massificando a violência

Em geral, a pessoa que sofre qualquer tipo de agressão encontra pelo caminho muitos sofrimentos que vão além da violência de fato. É o descaso, a falta de apoio, solidariedade e a desconfiança. Isso acontece porque a sociedade está se tornando individualista e insensível em relação ao assunto. As notícias sobre as atrocidades que acontecem diariamente já não nos chocam como antes e, a cada dia, o grau de brutalidade dos agressores é superado.

Podemos citar como exemplo o crime da mala, que causou grande comoção e ganhou destaque na imprensa do Brasil e do mundo em 1928, mas que se ocorrido hoje, talvez recebesse apenas uma pequena nota nos jornais. Já nos acostumamos com a brutalidade de filhos que assassinam os próprios pais, com pais que atentam contra os seus pequenos, com irmãos que se destroem em troca de bens materiais, entre outros absurdos. Eventualmente um caso de brutalidade isolada nos deixa chocados e indignados, para depois ser esquecido.

A banalização da violência em programas televisivos com o intuito de causar comoção, expondo as mazelas de vidas miseráveis, em situações repletas de tragédias, já não causam mais inreação alguma senão a diversão. Estamos acostumados a rir das desgraças alheias, retratadas de forma “comercial” pela mídia que busca apenas elevar os níveis de audiência.

Mas então, o que explica a manutenção desse tipo de programa? O que leva outras pessoas, que não aqueles que tem o sádico prazer em rir da desgraça alheia, a assistir a esse tipo de ‘show de aberrações’? Segundo pesquisa encomendada por uma emissora de televisão, esses programas causam em seu público-alvo uma espécie de satisfação por conhecer histórias de vidas piores que as suas próprias. Ou seja, existe um ‘consolo’ em saber que existem pessoas em situações piores.

E não é apenas em ‘shows de aberrações’ que a triste realidade brasileira causa risadas ao invés de choro. O retrato do caos urbano apresentado de forma simples e cruel em filmes como Tropa de Elite também nos faz rir. A morte de jovens que poderiam ou não ser delinquentes como mostra o filme deveria nos preocupar, mas o efeito não é bem esse. Ver a realidade das nossas cidades exposta ali nas telas causou a indignação a alguns poucos expectadores, enquanto muitos manifestaram admiração pelo BOPE, batalhão da polícia carioca retratado no filme como praticante de ações de extrema violência.

Nessa situação, muitas pessoas preferem culpar o governo pelo caos instalado. Mas será mesmo que as autoridades são as únicas responsáveis pelo crescimento desenfreado da violência nas cidades? Será que as nossas atitudes egoístas e irracionais nada tem a ver com o aumento desse problema?

Não parece óbvio que, um jovem da favela que se sinta agredido moralmente por uma pessoa de classe média e queira retribuir a agressão de alguma forma? Da mesma forma, o agredido sente-se no direito de retribuir e procura as autoridades para consegui-lo. E então, forma-se um círculo vicioso de violência entre cidadão, marginal e polícia.

Violência em casa

Deixando um pouco de lado a violência urbana, que tem suas causas facilmente explicadas na desigualdade social, que leva as pessoas com menos recursos a querer conseguir ‘na marra’ o que não conseguem trabalhando, como podemos explicar a violência doméstica, cujos índices crescem a cada ano, apesar do esforço da polícia e organizações não governamentais?

A falta de diálogo entre cônjuges e atitudes de amor, gratidão e compaixão estão quase extintas. O resultado dessa perda é que quase metade da população feminina já sofreu algum tipo de violência física, por maridos ou ex-parceiros, dentro de suas próprias casas. E engana-se quem pensa que apenas mulheres que vivem em situação de pobreza sofrem com o problema.

Mas, o que leva um homem a agir dessa forma com a mulher que escolheu para ser sua companheira? Será que as dificuldades que surgem pelo caminho não poderiam ser contornadas com um bom diálogo ou mesmo uma separação? É mesmo necessário chegar a esse ponto? Por que muitas mulheres aguentam essa situação caladas? São muitas perguntas e em geral, uma só resposta: medo. Motivadas pelo receio de sofrerem novas agressões, muitas delas aguentam a violência doméstica por anos e anos.

Em muitos casos, o uso de bebidas e entorpecentes motiva esse tipo de ação. Mas não é novidade que a violência doméstica é, também, um circulo vicioso que assola a sociedade. Em geral, pessoas que cometem agressões contra esposa e filhos dentro de casa, também sofreram com pais agressores. E mais uma vez, o circulo se fecha.

Vale lembrar que, frequentemente, o marido que agride a mulher, também o faz com os filhos. Não são raros os casos de crianças entregues pelas mães ao conselho tutelar para livrá-las da violência física e, em alguns casos sexual, sofridas dentro de casa. Infelizmente, por mais absurdo que possa parecer, os números de casos como esse vem crescendo exponencialmente.

Muito menos difundida e de igual ou maior importância, está a violência psicológica a que muitas mulheres são submetidas. Situações de humilhação, desrespeito, traição, indiferença, entre outros, estão presentes quase que diariamente na vida de muitas esposas que muitas vezes nada fazem para contê-los, por não identificarem nessas atitudes um tipo de agressão.

O bullying escolar não deve ser visto com normalidade entre pais e professores. Crianças que estão sob pressão de brincadeiras maldosas de seus colegas estão propícias à depressão e surtos

Outra vertente cruel da violência é o bullying, em especial o bullying escolar. O termo é conhecido há pouco tempo no Brasil, mas a situação que ele representa já faz parte da vida de muitas pessoas. Já se foi o tempo em que as brincadeiras maldosas de escola se resumiam a implicações com orelhas de abano, olhos e dentes grandes, óculos ou alguma característica incomum de algum colega. As crianças de hoje estão muito mais críticas e impiedosas em relação aos outros.

As situações são chocantes quando percebemos o grau de maldade utilizado em muitas abordagens. As agressões físicas e verbais partindo de seres que deveriam estar mais preocupados em jogar bola na hora do recreio são de deixar qualquer um boquiaberto. E, diante da situação, surge a pergunta: de onde vem tanta violência, será que essas crianças nasceram assim?

Existem muitos motivos para explicar porque um grupo de crianças “elege” outra para ser a vítima. Em geral, os mais tímidos ou com características que fogem ao padrão são “eleitos” e a perseguição começa. Xingamentos, piadas de mau gosto e agressões são algumas das formas de perseguir a vítima. Por ser um problema relativamente “novo”, muitas escolas não dispõem de profissionais aptos a lidar com a situação. Outro agravante é que, muitos pais de agressores, quando notificados das atitudes dos filhos, acabam por não dar a devida atenção ao assunto, por considerá-lo “coisa de criança”.

“As crianças de hoje estão muito mais críticas e impiedosas em relação aos outros. As situações são chocantes”

Consequências do bullying

O que muitos não sabem ou preferem ignorar, é que atitudes como essa podem ocasionar situações muito piores, como aconteceu com o estudante Jeremy Wade Delle, que se suicidou dentro da sala de aula, em frente a 30 colegas e de uma professora, como forma de protesto pela perseguição que sofria constantemente. A polícia americana acredita que os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold, autores do massacre no Instituto Columbine, onde 13 pessoas morreram e outras 21 ficaram feridas, também sofriam com perseguições dos colegas da escola.

A constatação do crescimento do número de agressões promovidas por crianças e adolescentes gera uma inquietação. Muitos pais tem se perguntado: onde erramos? Quando perdemos nossas crianças? E, de fato, a resposta não é tão simples. O assunto ainda causa dúvidas e intriga terapeutas e psicólogos.

Dentre os fatores que podem causar o aumento da violência entre as crianças, está a perda da autoridade por parte daqueles que deviam ensinar e corrigir. Devido ao ritmo intenso de trabalho e à falta de tempo, muitos pais não percebem ou preferem ignorar as atitudes erradas de seus filhos. Isso gera a falta de limites e de obediência, potencializados pelo sentimento de abandono causado nas crianças. Dessa forma, elas buscam chamar a atenção de outra maneira, e acabam por se manifestar de forma violenta, para conseguir algum espaço na vida daqueles que deveriam acompanha-las de perto todo o tempo.

Outra hipótese a ser considerada, é a falta de controle ao que as crianças tem acesso. Por exemplo: muitos pais não se preocupam em conhecer o conteúdo dos programas que seus filhos assistem na TV. Filmes e desenhos com conteúdo impróprio são consumidos pelos pequenos de forma desenfreada, muitas vezes sem supervisão de um adulto. Obviamente que não se pode afirmar que uma criança se torne agressiva apenas por assistir a programas violentos, mas esse sentimento pode ser potencializado caso haja uma pré-disposição para isso.

Mas, nem só as crianças e adolescentes são praticantes do bullying. Esse tipo de perseguição ocorre também em adultos, que buscam de alguma forma perseguir, humilhar e agredir a outro. Assim como nos pequenos, é difícil saber o que leva um adulto a tomar tal atitude contra outro, mas especialistas acreditam que, na maioria dos casos, os agressores são motivados por inveja ou alguma vingança pessoal.

O que é violência, afinal?

A definição de violência é “ação ou efeito de violentar, de empregar força física contra alguém ou algo, ou intimidação moral contra alguém”. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência nada mais é do que a imposição de um grau significativo de dor e sofrimento evitáveis. Na prática, todo mundo sabe o que é violência, seja por experiência própria ou de outros.

Podemos enquadrar no conceito de violência não só a agressão física, como também a violência psicológica, verbal, sexual, moral, política, cultural, entre outras. E novas expressões que também caracterizam algum tipo de violência, como, por exemplo, o ‘bullying’, que nada mais é o do que o ato de agredir ou intimidar outro indivíduo incapaz de se defender vêm surgindo com rapidez assustadora.

Então, como podem os muros, grades, armas e parafernálias eletrônicas garantir que estaremos livres da violência? A resposta é simples: eles não podem. O máximo que conseguem é gerar em algumas pessoas a falsa impressão de segurança. Mas, basta olhar ao redor com um pouco mais de atenção para perceber que a violência está em todos os lados, vestindo roupas e cores diferentes.

A verdade é que, o índice de maldade das pessoas que praticam o bullying é assustador. Seja por diversão, inveja, falta de atenção ou problemas psíquicos mais graves, o bullying é mais uma forma de violência que vem crescendo assustadoramente e fazendo vítimas, fatais ou não, ao redor do mundo. Como em qualquer forma de agressão, as marcas podem levar anos para serem apagadas ou mesmo permanecer por toda a vida, caso não haja algum acompanhamento terapêutico adequado.

Diante dessas situações, surge a pergunta: como é possível evitar a violência em nossas casas se ela está em todos os lugares? Se até em nossos momentos de lazer ela está presente, onde poderemos fugir dela? O que motiva uma pessoa a ter um comportamento violento?

Essas perguntas, em especial a última, com certeza passam pela cabeça de muitas pessoas quando assistem na televisão, imagens de torcidas de times rivais se enfrentando violentamente, como em uma arena medieval. Quem nunca se perguntou: o que eles pretendem com isso? Por acaso acreditam que acabar com a torcida rival fará o time deles campeão? Ou fará deles pessoas melhores? Outra questão inquietante é: por que eles ficam tão valentes quando estão em grupos? São perguntas que ficam no ar ao final de cada clássico.

“Em um momento de tensão, os impulsos podem nos trair e acabar provocando um dano irreparável em nossas vidas”

Se analisarmos friamente, vamos perceber que, em muitas situações, nós nos acostumamos e nos acomodamos com a violência. Pense em quantas vezes você passou por uma situação de ameaça ou de violência propriamente dita, por menor que seja. E quantas vezes você foi a uma delegacia dar queixa? Provavelmente, você não o fez por acreditar que isso não surtiria nenhum efeito, certo? Afinal, é muito mais fácil comprar um rádio novo para o seu carro do que ir procurar a polícia e esperar que eles encontrem o seu equipamento roubado.

Faça um teste simples: comece a falar sobre violência em um bate-papo informal entre amigos. Conte uma história que aconteceu com você, como um pequeno furto no mercado ou uma tentativa de assalto frustrada. Você vai notar que cada pessoa no grupo terá, no mínimo, uma história pior que a sua para contar. Em algumas situações, o resultado pode levar a revelações de situações surpreendentes que aconteceram com pessoas próximas, que você nem imaginava.

Mas, de onde vem tanta agressividade? Por que a sociedade, que deveria evoluir, age de forma cruel e intransigente? Por que nos descontrolamos e perdemos a razão ao menor sinal de insatisfação? O que leva uma pessoa pacífica a ter atitudes extremas? Você com certeza já presenciou uma briga de trânsito, causada por uma “fechada” ou algo parecido. E, com certeza, pode comprovar como pessoas que são aparentemente inofensivas e tranquilas, reagem violentamente a uma situação que, teoricamente, nem é tão grave, já que não resultou em acidente.

Você também deve se lembrar que algumas pessoas já morreram por causa de uma situação inofensiva dessas, não se lembra?

Muitos de nós ficamos indignados com manifestações violentas estúpidas, causadas por motivos estúpidos. Mas muitos de nós também já pensamos que poderíamos matar o idiota que nos fechou no trânsito, o motoboy que quebrou nosso espelho retrovisor ou o babaca que nos traiu.

agressividade em nós

A verdade é que ninguém está livre de manifestações agressivas. Nem sempre a violência é causada por pessoas violentas, que costumam andar com armas no porta-luvas do carro. Em um momento de tensão, os impulsos podem nos trair e acabar provocando um dano irreparável em nossas vidas. Não podemos esquecer que, entre tantas variáveis, a autoviolência também existe. São aquelas punições que causamos a nós mesmos quando permitimos que algo que nos desagrada faça parte da nossa vida. Podemos citar como exemplo uma mulher que se impõe uma dieta rigorosa mesmo sabendo que está dentro dos limites de peso aceitáveis para uma pessoa saudável, ou um homem que concorda em trabalhar em algo que não gosta por imposição das circunstâncias.

“Se analisarmos friamente, perceberemos que nos acostumamos com a violência”

Parece bobo, não? Mas são pequenas atitudes que tomamos contra nós mesmos e tem o efeito de uma “panela de pressão”, e quando explode, causa prejuízos irreparáveis a nós e às pessoas que possam estar a nossa volta naquele momento de “explosão”. A imposição desses “desagrados” em nossas vidas causa uma insatisfação que em algum momento será colocada para fora.

Segundo alguns pensadores a violência é inerente ao ser humano. Para provar essa teoria, basta observar o comportamento das pessoas no trânsito, em casos de engarrafamento, desrespeito e até de acidente. É comum tornarem-se agressivas

A verdade é que, nenhuma ação violenta, por pior que seja, acontece sem que haja um motivo oculto no emocional do indivíduo. Muitas vezes a causa desse comportamento requer anos de estudo para ser encontrada. É necessário muito trabalho de terapeutas para conhecer o motivo dessas manifestações e muito mais tempo para tratá-las.

Vale a pena pensarmos e repensarmos nas atrocidades que estamos fazendo a nós mesmos. Obviamente muitas delas não podem ser evitadas, como por exemplo, perder horas preso em um congestionamento de automóveis. Mas, algumas mudanças em pequenas atitudes podem ocasionar um alívio na carga de tensão que carregamos diariamente. Um bom começo seria nos libertamos das imposições de “ser” e “ter” a que somos submetidos. O ato de reavaliar o que é, de fato, importante, pode aliviar o estresse e evitar situações indesejadas.

Para todo sofrimento humano existe uma causa, mesmo que seja desconhecida. Sabemos que ela se encontra no nosso inconsciente, e a psicanálise tem um método terapêutico que ajuda o sujeito a encontrar essa causa, que compreende o seu sofrimento, libertando-se dele.

(*) Araceli Albino é graduada em Psicologia pela Faculdade Integrada de Uberaba, Pós-Graduação em Psicanálise e Linguagem pela PUC/SP e doutoranda em Psicologia pela Universidad Del Salvador (USAL) Buenos Aires – Argentina. É presidente do Sindicato dos Psicanalista do Estado de São Paulo (Sinpesp)

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Não categorizado

Uma resposta para “VIOLÊNCIA, POR QUE? E ATE QUANDO?

  1. Sem muitas delongas eu francamente acho que a Violência é produto do capitalismo. As desigualdades sociais cada vez mais acentuadas fizeram crescer uma sociedade que disputa tudo! A gente percebe no trabalho, nas escolas, nas universidades, nas famílias uma luta cotidiana de carinho, de ego, de status, de atenção… A violência no trânsito é algo tão descabido que se torna ridículo muitas vezes…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s