E MAIS UM JOVEM SE FOI, VÍTIMA DA VIOLÊNCIA FAMILIAR; POLICIAL E DAS DROGAS! – DIOGENES DE MELO FIGUEIREDO! Ou: ( Mais umA triste história da nossa juventude em situação de vulnerabilidade social!)

 

 

Neste  Blog você vai encontrar um artigo ” Juventude, Drogas e Tanatos” que postei em 2008; onde já apontava algumas alternativas para o crescente problema das drogas!
https://jafeguedes.wordpress.com/?s=Juventude%2C+Tanatos+

Destaco as propostas que fiz no artigo;Para superação de tal problema as seguintes medidas em caráter urgente urgentíssimo:

1. Mudar a legislação para que o viciado seja tratado como doente pelo sistema de saúde e não como um bandido na esfera policial e judicial.

2. Imediata conversão da escola de 2 turnos em escola integral de 1 turno único das 7 as 18 horas, Evitando que pela ociosidade esta crianças e adolescentes sejam adotadas pelo tráfico.

3. Montagem de política publica de recuperação de drogados bem como uma rede de OSCIPS/ONGS que possam trabalhar como executoras destas políticas publicas para a prevenção e recuperação de drogados.

A discriminalização se afigura como fundamento básico para a garantia dos Direitos Humanos, posto que o projeto descriminalizador e a formação real de Políticas Criminais alternativas são as únicas possibilidades de resistência aos modelos de guerra e de tutela eficaz dos Direitos Humanos.

06/10/2008

Habeas labor!

Em 2010, perdi um amigo e Cliente – Paulo Luiz Ramalho ( Um jovem culto, dinâmico e bem nascido);  e agora dia 13/09/13, foi o jovem Diógenes Figueiredo( Um jovem excluído, marginalizado, empobrecido e em situação de extremada vulnerabilidade social); ambos assassinados por dívida de drogas com o Crack.

Eis a historia do Diógenes:

Sexta feira  13 de setembro de 2013. Seria  mais uma sexta-feira 13, como todas as outras, se não fosse o assassinato de um jovem cuja  infeliz história de sua curta vida  eu conhecia. Seu nome era Diógenes de Melo Figueiredo – o Didi;  nascido  em 01/11/1985,  na cidade Nova Iguaçu no Rio de Janeiro;   com  27 anos, brasileiro, solteiro,  flanelinha e sem casa. Vivendo em situação de rua, narcodependente e em extremada vulnerabilidade social.

Ele foi assassinado às 23h;  na chamada Crackolândia no centro da cidade de João Pessoa/PB;   com um tiro na cabeça,  desferido por homem que estava em uma moto;  provavelmente  foi  morto por dívida com drogas. Soube  do ocorrido dois dias depois, e nem pude ir ao seu velório.

A historia de Didi se cruzou com a minha,    quando eu como advogado, militante e dirigente de organizações de Direitos Humanos,  o encontrei  na Rodoviária  de João  Pessoa,  em uma das  minha idas-e-vindas  à Campina Grande, no meio da década de noventa, quando trabalhava no Centro de Defesa dos Direitos Humanos – “João Pedro Teixeira”e no Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba.

Diógenes  nos seus 23 anos,  era  o único sobrevivente de um grupo  5  garotos,  colegas seus  engraxates;  devia  ter uns 5 anos de idade,  quando me abordou, pedindo  para engraxar o meu par de sapatos  social. Ele estava acompanhado  pelos falecidos garotos – ( que soube  por ele, estarem todos mortos, também  assassinados).

Didi se destacava entre os demais, pela  comunicabilidade, pele clara, simpatia, olhos cor de mel  e amplo sorriso. E me  fidelizei com ele no monopólio de deixar meus sapatos limpos e brilhantes. 

Em um dos diálogos rápidos com ele,  descobri que vinha de família desestruturada. Órfão de pai,  sua mãe morava com um companheiro desempregado e alcoólico que batia   nele e na mãe frequentemente.

Um  dia na rodoviária, enquanto engraxava meus sapatos, me pediu para pagar um sanduiche para ele, e lhe indaguei: Por que você não o compra  com o dinheiro que arrecada com seu trabalho?  Foi então que ele   me contou o que eu jamais poderia imaginar… Que seu padrasto, ao invés de mandá-lo ir para a escola,    obrigava-o  a  trabalhar nas ruas  de João Pessoa,   e ganhar dinheiro  para  sustentar a casa e a dependência química  dele de  fumo e álcool. E que seu padrasto  impunha que se ele não levasse para casa a noite o valor mínimo de R$ 20,00 ( Vinte Reais);   levava socos, pontapés e cascudos.  E para provar os sinais de  tal violência, pegou minha mão  e a colocou em sua cabeça,  e pude  constatar nela vários edemas – (“galos”),  provocados pela violência familiar. Sensibilizado e indignado pagava-lhe de vez em quando,  um  sanduiche.

Como era advogado do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba, e assessorava o Arcebispo D. José Maria Pires,  apresentei-o para ser o engraxate “oficial” dos colegas de trabalho e dos Padres e Freiras que frequentavam o Palácio do Bispo. 

E ele foi vivendo sua vida e perdi contato com ele.Até que anos depois,  recebi sua visita  na OAB/PB  já como Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PB,  quando me pediu para eu lhe ajudar a liberar seus documentos que se encontravam apreendidos no Juizado da Criança e do Adolescente, por ter passado internado no CEA  dois anos. Perguntei o que ele tinha feito e me confessou que  ele já crescido e  com 16 anos;  não aguentou mais ver sua mãe sofrer violência física do seu padrasto,  e  partiu para defendê-la;  e com o uso de uma faca,   feriu o  padrasto agressor quando  este estava batendo nela; porém  quando a polícia chegou,  este se postou como vitima,  e para completar sua agrura, a  mãe que defendeu,   ficou do lado do companheiro agressor e contra ele;   e o Jovem  Diógenes foi detido pela polícia acusado de tentativa de homicídio e lesão corporal, e  por isso foi recolhido ao CEA por quase dois anos .

Acompanhei o final do processo e consegui  enfim liberar toda a sua documentação.

Quando saiu aos 18 anos, sua mãe cedeu a imposição do companheiro e ele nao pode retornar para casa, passando a viver nas ruas. 

 Momento marcantes meus com Didi:

 O Dia  em que ele  me confessou o seu sonho de garoto aos 9 anos: Ir ao Manaíra Shopping e comer um Hambúrguer :  Levei-o  junto com minha filha  de 08 anos – Ludmila,   no dia da criança,  para comer um Hambúrguer e frequentar o Play Station do Shopping  Manaíra. Porém tive que  enfrentar  o preconceito e a violência dos seguranças, que queriam a todo custo botá-lo para fora;  e quase conseguiam,  quando eu o deixei  ir sozinho  ao banheiro,  e eles se aproveitaram deste momento,  e quase o botaram para fora;  só não o fazendo  porque ao  ouvir seus clamores, corri e  interrompi   o intento dos seguranças.  

– O dia em que me pediu para adotá-lo  já aos 15 anos,  recebeu um não como resposta,  pois não tinha estrutura nem tempo  para assumir tal responsabilidade.  

– O dia em que o reencontrei   após a minha  morada por  2 anos  nos  EUA; quando caminhava com minha filha na praia de Manaíra vendendo artesanato. 

 O dia em que ele tentando  fugir da violência  me pediu para ir morar com parentes  no Rio de Janeiro, e providenciei as suas passagens e lhe dei  roupas de frio;  e lá ele não conseguiu permanecer  nem 3 meses pois foi morar  na Comunidade do Alemão e lá queriam  que ele participasse do narcotráfico e  ele preferiu optar pela sua volta imediata.

– O dia em que eu o  protegi de ser preso por policiais,  quando caiu do muro,  no teto da garagem de uma casa vizinha do meu escritório,  no centro, danificando suas telhas de alumínio,  quando ia  pular o muro para se encontrar com uma moça que trabalhava na casa,   para fazer amor com ela.  Pude transacionar com o proprietário,   pagando seus danos  e os policiais o liberaram.

– O dia em que me pediu dinheiro para pagar dividas de drogas ,   e disse que só daria dinheiro se ele realizasse trabalhos para mim,  e  o  levei  para fazer algumas tarefas como faxina, pintura  e manutenção em minha casa/escritório no centro da cidade, pagando-o por esse trabalho.

– O dia em que sabendo do seu aniversário,  o procurei para entregar-lhe um presente  e ele me confessou depois que nunca tinha ganho nem festa  nem  um presente antes, porque ninguém lembrava  a data do aniversário dele. 

– O dia em que pedi aos Soldados  da Polícia Militar,  que  faziam ronda aos pares,  chamados  Cosme & Damião,    para ajudá-lo  a  garantir  o seu local de trabalho  como flanelinha, junto à Faculdade de Direito da Praça João Pessoa,  pois jovens maiores queriam expulsá-lo de lá para monopolizar o local.  

– O dia em que apresentei-lhe Maria das Graças, militante feminista e da  Associação das Profissionais do Sexo –  APROS;   que passa a cuidar dele ,  dando-lhe abrigo, carinho e afeto.    

– O dia em que lhe convidei para o meu Revellion com a sua companheira Graça e ele me confessou que nunca tinha  ido a uma festa daquelas.

– O dia em que  perguntei-lhe se queria ter uma  profissão , e ele respondeu que sim. Então  prometi pagar o seu curso e o autorizei  a procurar um curso que lhe interessasse  no SESC/SENAC/SENAI e ele decidiu fazer curso de Garçon e Vitrinista, porém quando fui fazer sua matrícula,  exigiram o diploma do primeiro grau, e ele me disse que estava em uma escola em Santa Rita, fomos lá e disseram que a escola tinha entrado em reforma e seus arquivos tinham ido para outra escola próxima e fomos lá também, e lá disseram que os arquivos tinham se extraviado, ficando ele sem poder fazer o curso profissionalizante .  

– O dia em que ajudei-os  financeiramente  a Ele e Graça –   a comprar um carrinho  de mão,   e caixas e garrafeiras  de isopor para que pudessem vender cervejas ,  refrigerantes e lanches durante o calendário das festas populares na  nossa  Capital;  e assim melhorar a renda familiar.     

– O dia em que sua companheira – Maria das Graças –   me ligou  para dizer que ele estava preso por ter sido acusado de  roubar um celular. Mas  na verdade  o que ocorreu é que ele foi fazer um “programa”  com um cidadão e este na hora do ato queria ser o ativo e ele o passivo, se negando dizendo que era um “sujeito homem”;  porém exigiu o pagamento prometido,  tendo o homem  lhe dado o celular, para logo depois chamar a policia acusando-o de roubo.

 Consegui  sua absolvição da acusação deste crime,  invocando o principio da bagatela;    e alegado “quebra de contrato tácito”;   posto que o  celular era uma “cédula pignoratícia” tomada como garantia de pagamento dos “serviços sexuais”.

Porém antes da audiência  soube através de sua esposa,   que tinha sido  ele  o autor de um  roubo  de objetos valiosos meus  de trabalho e lazer.  Roubo muito suspeito,  onde meu cachorro pit bull  não reagiu ao ladrão e a pessoa agiu como se soubesse o que procurava.  

Porém  apesar de saber  ter sido ele o autor deste mal,  continuei defendendo-o  e  ele  foi julgado e absolvido.

– O dia em que fui levar-lhe a Carta de Sentença e  lhe disse que doravante não contasse mais comigo para defende-lo por condutas antissociais, contravenções  e  crimes, pois estava abandonando a advocacia na  área criminal.

– O dia em que sua mulher me liga para dizer que ele estava batendo nela,  e que este estava se tornando  viciado em Crack ;  ameaçando-a de morte,  caso  não lhe desse dinheiro para comprar a droga.

– O Dia em que vou a ele e dou-lhe um “ultimatum” para não praticar violência contra sua mulher e depois eles se separaram e ele passou  a morar em situação de rua !

– Agora analisando o caso em tela, me recordo do  visionário alerta que fizImagem

há alguns anos atrás da importância da urgente elaboração de um  Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack;   e da necessidade da vinda do Projeto do Governo  Federal  “juventude viva” e da necessidade do resgate  do modelo de  “Escola Integral” como medidas de segurança preventiva e políticas públicas inclusivas.

Vejam as imagens fortes do triste desfecho do caso;  como uma “crônica de uma morte anunciada”;   nos seguintes endereços eletrônicos:

http://portalcorreio.uol.com.br/noticias/policia/crime/2013/09/14/NWS,229249,8,153,NOTICIAS,2190-DOIS-ASSASSINADOS-JOVEM-MORRE-OVERDOSE-COCAINA-GRANDE.aspx

 

 tp://www.tambau247.com.br/noticia/20057/flanelinha-e-baleado-no-centro-da-capital

Flanelinha é baleado no Centro da Capital

http://www.tambau247.com.br

 

 

 

1 comentário

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Uma resposta para “E MAIS UM JOVEM SE FOI, VÍTIMA DA VIOLÊNCIA FAMILIAR; POLICIAL E DAS DROGAS! – DIOGENES DE MELO FIGUEIREDO! Ou: ( Mais umA triste história da nossa juventude em situação de vulnerabilidade social!)

  1. É preciso responsabilidade social, inclusive dos professores. A educação não existe, se não existir compromisso e, sobretudo, esse profissional não se desnudar do preconceito. Conheço muitos que envergonham a categoria e a sala de aula, infelizmente!

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